Síntese sobre Idade Média e Trovadorismo (pt.2)

Formação de Portugal:

– Afonso VI, Rei de Leão, casa suas duas filhas (1094).

-Condado Portucalense e Galiza.

-O soberano do Condado, D. Henrique de Borgonha, morre e sua esposa estreita relações com a Galiza.

-Temendo a subordinação do Condado à região da Galiza, o filho de D. Henrique, D. Afonso Henriques, rebela-se, conquista e toma parte da Galiza.

-Unifica os dois territórios, dando origem a Portugal (1128).

–  autonomia reconhecida somente em 1143 pelos demais nobres.

Trovadorismo e Estado português:

O trovadorismo é uma escola literária que floresce juntamente com a formação do Estado português, a partir de D. Afonso Henriques – primeiro rei de Portugal. De origem provençal, popular e folclórica – portanto, escrita em língua vulgar, não em latim -, o trovadorismo foi praticado por membros da nobreza. De modo que, quando o assunto das cantigas é popular, não deixa de ser um nobre enquadrando a realidade do povo. De forte cunho sentimental, contrastando com o momento de guerra entre europeus e mouros, as cantigas trovadorescas são acompanhadas de música e compilada em três grandes Cancioneiros: o da Vaticana, da Ajuda e o da Biblioteca Nacional.

Sendo a Cantiga da guarvaia ou da Ribeirinha o primeiro texto literário escrito em português, dele é possível derivar as duas modalidades em que se darão o trovadorismo: as cantigas líricas, de amor e de amigo; as satíricas, de escárnio e maldizer.

As cantigas de amor são fortemente marcadas pela presença de um Eu lírico masculino que sofre pela indiferença ou pela impossibilidade de realização amorosa (a coita). Sempre colocando o objeto amoroso em posição superior a que se encontra (a vassalagem), devota amor eterno à uma figura totalmente idealizada (assim também chamado de neoplatonismo). Neste sentido, trata-se de um amor que não visa sua própria realização, ficando restrito ao campo do sofrimento pela impossibilidade; deste modo o tipo de amor que é devotado, configura o amor cortês, isto é, um tipo de amor que não rompe com as convenções sociais da época: resguardando a donzela de ataques eróticos, colocando-se em posição de vassalagem, etc.

Já nas cantigas de amigo temos um eu lírico feminino – que, na verdade, como sabemos, é um nobre se passando por mulher – que não mais sofre por amor, como nas cantigas de amor, e sim lamenta a ausência do amado. Ora, ao lamentar e sofrer de saudade pela falta do amado, pressupõe-se, assim, que o contato amoroso já ocorreu: o que permite uma maior erotização da matéria, em comparação ao decoro do amor cortês. Ao contrário, também, das cantigas de amor, as de amizade são de origem totalmente popular e portuguesa, enquanto a primeira é de origem provençal.

Síntese passada em aula:

As cantigas de amor são compostas de uma voz poética masculina que se dirige em devoção espiritual à uma donzela inacessível, pois superior a ele socialmente, merecedora da mais pura servidão – tal como os nobres juravam vassalagem uns aos outros. As cantigas de amigo se centram na matização de uma perspectiva feminina aguardando o retorno do amado que, geralmente, partiu para o serviço militar e se encontra fora. Enquanto em uma há a coita, o sofrimento amoroso que antecede e prevê a impossibilidade da consumação do amor; na outra a coita se transfigura em espera ansiosa por aquele que conhece o Eu tão bem, o trovador.

A transfiguração poética operada pela lírica amorosa, que rebaixa nobres à condição servil (daí a Senhora ser inalcançável) mantém, ainda assim, as convenções sociais do mundo da corte; enquanto, nas cantigas de amizade, o transplante para um ambiente distante do requinte e das convenções palacianas deixa entrever um olhar mais desabusado que os compositores lançam em direção ao mundo rústico, o qual permite uma maior erotização da matéria – ainda que muito velada e metafórica

Cantigas satíricas:

Enquanto as cantigas líricas tratam da matéria amorosa, as satíricas estão interessadas em ridicularizar e, assim, formular uma crítica contra determinadas figuras da sociedade medieval. Centrando-se sobretudo o ataque à figuras da Igreja, as cantigas satíricas dividem-se em de escárnio e maldizer.

Não diferindo muito entre si, o que interessa destacar é que enquanto as cantigas de escárnio são veladas, as de maldizer são explícitas. Isto é, as de maldizer nomeiam o alvo da sátira, enquanto as de escárnio apenas aludem a quem será satirizado. Com linguagem fortemente obscena e grotesca, estas modalidades deixam entrever o outro lado da arte medieval que, além do cultivo do belo e do ideal, também valorizam os aspectos do feio e do grotesco. Porém, vale assinalar que são cantigas com enorme potencial crítico, apontando para vícios sociais de membros tanto do Clero, quanto da Nobreza.

Síntese sobre Idade Média e Trovadorismo (turma de maio/tarde) (pt.1)

Características gerais da Idade Média:

O período medieval compreende quase 1000 anos (do século V d.C até o XV d.C), em que se destaca, sobretudo, a ação da Igreja Católica. Isso porque a divisão da sociedade feudal em três estamentos (ou setores ) – os servos, a nobreza e o clero – necessitava, para sua sustentação ideológica, de um motivo convincente; caso contrário, os servos, base da pirâmide social, poderiam se revoltar contra o regime de exploração que lhes é imposto pelas elites medievais. Neste sentido, a Igreja, que detinha o monopólio da Salvação, controlava a vida de tudo e todos: dando as diretrizes do funcionamento social.

Especificando melhor, tendo por base da sociedade feudal a fé católica-cristã, a divisão de tarefas para o funcionamento social consistia em: 1)o clero reza pela salvação espiritual de todos; 2)os nobres garantem a segurança militar tanto do clero, quanto dos servos; 3)os servos trabalham (na terra dos nobres) para garantir o sustento dos outros dois setores.

Além disso, para garantir a submissão tanto de servos aos senhores, mas também dos próprios nobres diante de um soberano maior, estabeleceu-se a relação de vassalagem. Nesta relação está implicado a submissão de um nobre a outro, colocando-se a baixo de seu rei, jurando atender qualquer chamado militar, obediência e devoção – vimos que nas cantigas trovadorescas o Eu lírico também se coloca em posição de submissão, entretanto, não em vassalagem bélica, mas sempre em termos amorosos.

Trata-se, também, de um período fortemente marcado pela ideia da morte. A peste negra devastou mais de metade de população da Europa do período, além de que, tendo por base a história bíblica, acreditava-se que o Apocalipse era fato certo; arrebatando todos.

Características gerais da arte medieval:

Não há na sociedade medieval a divisão artística que vigorou no período da Antiguidade Clássica, isto é, se, para os gregos e latinos, a arte deve buscar representar a realidade valorizando o belo e o ideal, estas duas categorias, na Idade Média, convivem junto do feio e do grotesco.

Não há separação entre feio e belo, ideal e grotesco. Basta lembrar da figura do Cristo crucificado: ao passo em que representa dor e sofrimento, não deixa de ser símbolo do amor de Deus; as gárgulas e quimeras, figuras disformes que, no entanto, repousam sobre as igrejas, a casa de Deus.

Em termos de produção literária, não há, igualmente, divisão entre cultura erudita e cultura popular. Sendo a primeira posse da Igreja para, então, propagar a fé cristã num mundo ainda pagão, valeu-se das lendas e do folclore popular. O intuito é mesmo o de assimilar o credo pagão, apagando a cultura pré-cristã (lembrem-se da Demanda do Santo Graal). Ora, desta maneira assim como não há separação entre belo e feio, também não há, nos textos literários, divisão entre cultura erudita e popular.

Para propagar a fé cristã vimos, também, que a Igreja deixou de rezar as missas e os credos em latim – língua oficial do Catolicismo e da cultura da época. Passou a espalhar o credo cristão a partir da língua vulgar, isto é, a língua dita pelo povo que dará origem, posteriormente, às línguas modernas.

Estilos Medievais:

Durante a Alta Idade Média (que vai do século V d.C até o XII d.C) vigorou o estilo românico. Marcado por ainda guardar certas características do mundo Antigo, o estilo românico inova ao apresentar o chamado arco redondo ou ovalar. Empregado, sobretudo, em Igrejas, este estilo é pesado e permitiu a construção de edifícios fechados, semelhantes a fortalezas – onde, de fato, os fiéis cristãos se escondiam em caso de ataques e guerras.

Já durante a Baixa Idade Média (séc. XII ao XV), o estilo gótico foi predominante. Conhecido também como sendo o estilo medieval por excelência, permitiu com que as construções crescessem verticalmente de maneira a alongar a altura das igrejas: dando a impressão, aos fiéis, de pequenez diante da grandiosidade divina. As paredes, mais finas do que em relação ao estilo românico, permitia a colocação de vitrais que, além de dar uma coloração especial ao interior da igreja, retratava episódios bíblicos.

Por falar nisso, cabe lembrar que a Arte Medieval é voltada para os aspectos transcendentes e didáticos. Sendo maioria da população composta por analfabetos, era preciso com que se incutisse o cristianismo no coração das pessoas: daí que grande parte da arte do período possui assunto religioso, sempre de maneira a influenciar a vida de quem a observa, mostrando os caminhos certos a se perseguir caso almejem a Salvação.

Produção literária:

As novelas de cavalaria retratam a busca do Santo Graal pelos cavaleiros do Rei Artur. Só seria digno de beber do Graal aquele que fosse puro, dedicasse a vida a causa dos fracos e oprimidos, servisse devidamente a Deus, rejeitando os prazeres da vida terrena. Este foi, segundo conta a Demanda, Galaaz. É curioso notar as semelhanças entre Galaaz e Jesus Cristo: ambos esperados como homens puros, que encarnam um ideal de verdade e vida.

Este ideal nada mais é do que o chamado Ideal de Cavalaria, em que se define o código de ética da vida do cavaleiro nobre. Isto é, não deve se valer de sua posição de superioridade social para explorar e maltratar os servos e sim dedicar sua vida a eles e a Cristo. Algo desta posição também se encontra no Trovadorismo.